Rodrigo Murta

08/24/2020

 

A escassez e a pressão sempre foram ingredientes presentes em todo ambiente inovador. Sabemos que no mundo das startups a abundância de dinheiro nem sempre faz parte da fórmula para o sucesso. Temos casos clássicos como 99 vs Easy Taxi, em que a Startup que dominou o mercado não foi a mais financiada, e sim a mais estratégica. Outro caso interessante foi o do AirBnB, com seus fundadores vendendo caixas de cereais para financiar a falta de caixa no início do empreendimento, e fazendo growth hacking do Craiglist quando não tinham dinheiro para marketing.

No início do Looqbox em 2016, quando éramos apenas 3, contávamos os centavos no caixa, e não tínhamos outra alternativa: era vender o nosso produto ou abandonar o sonho. A pressão foi um motor poderoso para trabalharmos com afinco e não deixar a peteca cair. Ter a existência ameaçada é sempre um forte motivador de transformação.

Mas e a Covid-19? Onde entra nessa equação? Em tempos de Covid, não é só a existência da empresa que é abalada, mas, antes, a da própria vida, o que torna a pressão ainda maior. Na pandemia, com a restrição da interação corpo a corpo, a transformação digital veio a fórceps. Novos processos tiveram que ser criados/ampliados da noite para o dia, como BYOD, Home Office, Videoconferência e VPNs. Os meios digitais ganharam mais poder do que nunca, acelerando o processo de transformação.

Refletindo um pouco sobre o tema, me pergunto o que todos os processos de transformação digital têm em comum. Vou pensar a ideia de transformação digital em seus dois termos separadamente:

Transformação – Quem transforma e é transformado são as pessoas. Logo, sem cultura de inovação e pessoas capacitadas não existe transformação.

Digital – Não dá para ser digital sem ter intimidade com dados. É sobre este tópico que eu gostaria de falar mais um pouco.

Aqui no Looqbox somos 200% datacentrics e amamos ajudar nossos clientes a transformarem seus dados brutos em informações, e informações em ações, mudando o curso dos seus negócios. E é impressionante ver como o uso da informação aumentou no período da pandemia. Alguns clientes, mesmo com suas unidades temporariamente fechadas, passaram a consultar mais seus dados, ávidos por melhores performances, e a acompanhar mais de perto seus indicadores.

Muitos já ouviram a frase do pioneiro data scientist e matemático Clive Humby: “dado é o novo petróleo”. Em sua explicação mais completa, o autor diz: o dado é “valioso, mas se não estiver refinado não pode ser realmente utilizado. [Petróleo] tem que ser transformado em gás, plástico, químicos, etc para criar uma entidade valiosa que impulsiona atividades lucrativas; portanto, os dados devem ser decompostos e analisados para que tenham valor”. Ou seja, o petróleo é só o início da cadeia, é preciso ter métodos eficazes para transformá-lo em energia.

Fazendo uma analogia com a metáfora de Clive, temos o exemplo da Digibee, que é uma das melhores refinarias de dados que conheço. Com seus “dutos digitais”, ela transforma e integra informações de uma forma flexível e robusta, fazendo com que os dados fluam entre sistemas e bases com mais simplicidade. Dando continuidade à analogia, e ao processo implementado pela Digibee, o que o Looqbox faz, na sequência, é exatamente a distribuição desses dados que, uma vez refinados, chegam de forma simples e rápida ao cliente final, levando energia para o processo de tomada de decisão.

Durante a pandemia, o grande aprendizado que tivemos aqui no Looqbox, é que em tempos de crise, ter informação é mais importante do que nunca para o processo de tomada de decisão. Como diz Yuval Harari, autor de Sapiens: “em um mundo repleto de informações irrelevantes, clareza é poder”. E se tem algo que todos estão procurando neste momento, é como tomar decisões melhores e mais claras para os seus negócios.

E sua empresa? No mundo dos dados, está transformando petróleo em energia de forma eficiente? Captou essa lição valiosa em tempos de Covid-19?

 

 

escrito por Rodrigo Murta – CEO Looqbox

Tags: