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A experiência do Looqbox no Japão! (e o golpe nos terraplanistas)

Emocionante! Nossa primeira apresentação internacional iniciaria em grande estilo, no Japão! Seriam 7 minutos cravados. Comecei então minhas frases de abertura em japonês. Consegui falar “Olá, meu nome é Rodrigo”. E... travei! Deu “perda total” das minhas palavras em japonês!

Como fui parar no Japão

Konitchuwa – ou “olá” em japonês – foi a primeira palavra que aprendi, quando ainda estava no Brasil, para abrir o pitch do Looqbox no Japão! Mas como fui parar lá? Vou rebobinar a fita.


A NTT Data, empresa de consultoria japonesa, organiza anualmente um campeonato global de startups. Após competições locais, cada país envia sua startup vencedora para apresentar seu projeto a uma banca avaliadora em Tóquio. Em 2019, 500 startups participaram da competição no Brasil, e 28 foram escolhidas como campeãs regionais. Depois de um longo e meticuloso processo, 2 startups brasileiras foram selecionadas para disputar a grande final em Tóquio: Looqbox e Mindfy.


Emocionante! Nossa primeira apresentação internacional iniciaria em grande estilo, no Japão! Minha agenda ficou super corrida, pois eu iria antes participar de uma feira de varejo em Nova York, em data próxima à ida para o Japão. Como disse de forma bem-humorada o João, do nosso time de CS: “cara, se eu fosse você iria direto de NY, porque, afinal, além de estar mais perto, é muito mais chique!”. Segui os conselhos do João (não por ser estiloso, mas por ser bem mais prático), corri atrás do visto (valeu Cláudia e Gio!) e organizei as malas.

Chegando lá

Ir direto de NY para o Japão de fato tornou a viagem bem menos cansativa. Viajei pela companhia aérea japonesa Ana e, desde aí, o impacto oriental já se iniciou. Todos os comissários eram japoneses “raiz” e deu para perceber uma disposição diferente, todos sempre preocupados em servir e atender bem. Alguns rituais começaram a aparecer, como a toalha quente e úmida antes da refeição japonesa.


Finalmente, depois de 14 horas de voo, pousei na terra do Sol Nascente. O primeiro encontro com a cultura local foi impactante. Eu estava na estação de Narita, aguardando o trem para o centro de Tóquio. O trem acabara de chegar, e quando eu ia entrar o guarda me parou. Me assustei um pouco, mas deu para notar a aflição dele, querendo se comunicar comigo em inglês. Ele falava algo que eu realmente não entendia, e quando viu que a comunicação não estava funcionando, ele pegou um dispositivo pendurado em seu pescoço, falou uma palavra em japonês, e a tradução veio em inglês: cleaning. Ele queria dizer que era para eu esperar, pois o trem estava sendo limpo.

O que me chamou a atenção foi a solicitude do guarda, sua preocupação em me orientar, algo que logo notei não ser um caso isolado no Japão. Em todo lugar que pedi uma informação, as pessoas se esforçaram ao máximo para me explicar o que fazer. É algo natural do povo, que você pode perceber já nas primeiras interações.


O metrô é extremamente limpo e silencioso; as pessoas estão sempre lendo um livro ou utilizando seus celulares. Falar alto no metrô? Nem pensar. Eu havia lido alguns materiais antes da viagem e aprendi como você é malvisto se atender a um celular ou conversar alto com alguém que está ao seu lado. O metrô é como uma biblioteca, eu adorei! A estação pode estar lotada, e o metrô de Tóquio é um dos mais lotados do mundo, mas você sempre poderá ler seu livro em silêncio.


Chegando à última estação, fui a pé até o hotel, por ruas pequenas e impecavelmente limpas, com meios-fios perfeitos, como tudo o que vi por lá. No hotel, fiz o check-in e fui para o quarto. Dava para perceber os detalhes típicos até na forma como a cama estava arrumada, com um pijama japonês disposto em desenho simétrico. Como ainda era cedo (por volta das 17h), descobri que tinha um museu perto do hotel e já aproveitei para ir conhecê-lo.


O museu foi a experiência cultural mais interessante no breve tempo em que estive em Tóquio. O Mori Museum fica no 53° andar de um prédio gigante, com visão 360° da cidade. O que mais me chamou a atenção foi ver o uso de tecnologia na arte e a mistura entre áreas do conhecimento (arquitetura, biologia, pintura, inteligência artificial, robótica, e por aí vai). Não vou descrever para não alongar o texto, segue link para quem tiver curiosidade.

A agenda de trabalho

Infelizmente fiquei somente 3 dias no Japão. Passei o primeiro dia na NTT apresentando nossa solução internamente para um grupo de executivos, o que foi uma prévia para a final que ocorreria no dia seguinte. Antes de ir para a sede da NTT, local do evento, tomei um café da manhã típico inesquecível, no meu hotel.


Cheguei na sede junto com o André, brasileiro CEO da Mindfy. Essa primeira apresentação foi um pouco estranha, porque a tradução não era simultânea. Eu tinha que falar um pouco, aguardar a tradução, e seguir. Era a primeira vez que eu fazia um pitch daquela forma e isso acabou quebrando a fluidez da apresentação. Mas foi bom para quebrar o gelo, treinar para a final e melhorar alguns aspectos do pitch. Voltei para o hotel. Cansado da viagem e con-fuso (seria essa a etimologia da palavra confuso?), aproveitei para dormir cedo. Acabei acordando às 2h da manhã. Resolvi melhorar minha apresentação (que sempre faço no próprio Looqbox) e traduzi-la para japonês. Gostei do looq do Looqbox em japonês. Vejam como ficou!

Treinei várias frases em japonês para a abertura, tomei o café da manhã delícia do hotel, e fui para o local onde aconteceria não só a grande final, mas o evento anual de inovação da NTT Data. Conheci algumas soluções nas mais diversas áreas, e uma delas, de realidade virtual, me chamou a atenção. Pedi que colocassem o site do Looqbox nela. Vejam abaixo como ficou:


Depois de dar uma volta na feira chegou o momento da grande final. Tudo no horário. Dessa vez a tradução seria simultânea, o que ajudaria bastante. Repeti mentalmente as minhas frases em japonês e parti para o pitch!

O Pitch

Antes de começar, o Looqbox ganhou uma placa comemorativa pela participação na competição e a largada do pitch foi dada. Seriam 7 minutos cravados. Comecei então minhas frases de abertura em japonês. Consegui falar “Olá, meu nome é Rodrigo”. E… travei! Deu “perda total” das minhas palavras em japonês!


Nada muito sério, apenas me desculpei por não conseguir continuar em japonês, e a apresentação seguiu normalmente. No final, fizeram algumas perguntas, todas respondidas, e trabalho feito! Pitch oficial no Japão, check!  Segue abaixo vídeo dos primeiros 60 segundos.

Quem levou o prêmio final foi a startup israelense Binah.ai. Muito legal o produto deles, que faz medições de saúde usando imagens no celular.


Voltei para o hotel com o sentimento de dever cumprido. Afinal, participamos da nossa primeira competição internacional e levamos para casa uma prova de conceito (POC) que será realizada em parceria com a NTT no Brasil (Representada pela Everis) e a Johnson & Johnson. A NTT nos ajudará no teste para expandir nossa operação na J&J Brasil e, dando certo, cresceremos logo para outros países!


Aproveito para agradecer à NTT Data, à Everis Brasil e ao time que nos deu suporte no Japão. Sei que nessa curta visita só tive uma pequena amostra do quanto a experiência cultural japonesa pode ser incrível. Deixou uma tremenda vontade de voltar. Quem sabe, para as Olimpíadas 🙂


Como na abertura, vou encerrar em japonês, com uma das frases que mais ouvi por lá:

ありがとう ございます!

Arigatō gozaimasu!

Muito Obrigado!

PS: O golpe nos terraplanistas

No último dia acordei cedo, ainda afetado pelo fuso, e aproveitei para correr e conhecer o parque de Chiyoda. Exercício feito, liguei para um amigo no Brasil, animado para falar sobre a viagem e mostrar a vista da janela do quarto do hotel. Clássica brincadeira que todo brasileiro faz quando vem pela primeira vez ao Japão: mostrar que em um lugar é dia enquanto no outro é noite. Eram umas 9 horas da manhã no Japão e, portanto, 9 da noite no Brasil. Apontei a câmera para a janela e, ao apreciar a vista, meu amigo Artur prontamente cortou minha fala com uma sacada inusitada: “Murtinha”, disse ele em tom pausado, sábio e sarcástico: “ver o céu azul aí enquanto aqui é noite é um belo golpe nos terraplanistas”. Dei muita risada e, como físico, achei uma sacada genial, misto de humor e ciência que não tinha passado pela minha cabeça.
Claro que não podia terminar este post sem fazer essa menção honrosa ao meu amigo Artur e ao Galileu: そしてまだ動く 🌎 🌏

4 de fevereiro de 2020

por Looqbox Team

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